KEEPER OF THE LIGHT

LINKS
Portal W11
MOTORNOIZE (CARROS & ROCK N� ROLL)
SA�DE BANGERS
SAME JOKE (BANDA DO KENNEDY)
VALINOR
D�vendor
COMPANHEIRO X
FOTOS DE SATELITE DO BRASIL
Genea Portugal
Highland Page (Sobre a Escocia)
Sobre Gaita de Foles (portugues)

PERFIL


28/12/2003 02:40
A Gaita de Foles
Distribuição em Portugal



Em Portugal podemos encontrar pelo menos dois tipos principais de gaitas; a gaita da costa atlântica ocidental, que se convencionou chamar de "gaita" ou "gaita galega" (absolutamente idêntica aos modelos tradicionais encontrados na Galiza, mas com algumas excepções nos exemplares mais antigos) e em Trás-os-Montes e Alto Douro, a "gaita-de-fole" ou "gaita transmontana" ou "gaita mirandesa" (as denominações variam, embora se refiram ao mesmo instrumento).

A gaita de foles em Portugal tem uma presença bastante antiga e não se podem datar nem localizar com precisão que instrumentos desse tipo existiriam em todo o território nacional; (há relatos e iconografias que atestam o uso do instrumento inclusive no Alentejo e Algarve) e há relatos da presença do instrumento em Portugal praticamente desde a fundação da nacionalidade, em pleno Século XII, pelo que a hipótese da importação recente não explica tudo. Poderá sem dúvida haver um intercâmbio de instrumentos e repertório, sobretudo entre a Galiza e Minho e Trás-os-Montes e Zamora, (que fazem parte da mesma "região cultural" de modo mais evidente), como acontece sempre nestes fenómenos da música popular.


Minho
A formação mais habitual encontrada é o grupo de zé-pereiras: grupos de percussão, de caixas e bombos em grande número. Ocasionalmente é possível encontrar formações que incluem três ou mais gaiteiros, por vezes acompanhados de clarinete.


Pelo menos até á década de sessenta ainda existiam nesta região construtores de gaitas de foles que as faziam muito semelhantes aos modelos da vizinha Galiza (gaitas afinadas em Dó, com um ronco e soprete curto).
Devido à proximidade da Galiza esta terá sido a região onde desde mais cedo ocorreu a substituição dos foles de pele pelos de borracha (que agora estão a ser abandonados em favor dos confeccionados em pele).


Estremadura
Curiosamente, ao contrário do que se poderia pensar, a gaita tem uma implantação e tradição muito forte a sul do Tejo e na Estremadura, a norte de Lisboa, contrariando o estereótipo comum de que o instrumento só existiria exclusivamente no norte do país.


A formação mais habitual encontrada na península de Setúbal é o grupo de gaiteiro individual, acompanhado de caixa e bombo. Esta parece ter sido em tempos a formação mais usual também na Estremadura cistagana, contudo já na década de sessenta, o mais comum era encontrar o gaiteiro tocando sozinho, sem acompanhamento das percussões. Outro aspecto que distingue a estremadura cistagana da transtagana, pelo menos a partir da segunda metade do século vinte, é o acompanhamento da gaita, caixa e bombo pelo clarinete.


Os instrumentos que se tem observado nesta região são de fabrico galego, não havendo noticia da existência de construtores garantidamente desde a década de sessenta do século XX. Havia no entanto torneiros que faziam peças por cópia, a pedido de um gaiteiro. Os foles que ainda eram de pele até meados do século XX foram totalmente substituídos pelos de borracha, sendo qe recentemente se observa o processo inverso.


A formação mais habitual encontrada é o grupo de gaiteiro individual, acompanhado de caixa e bombo (em toda a costa ocidental e região de Coimbra) e no caso do Minho e Douro Litoral, também do gaiteiro que acompanha os grupos de Zés-Pereiras (grupos de percussão, de caixas e bombos em grande número). Ocasionalmente é possível encontrar formações que incluem três ou mais gaiteiros, por vezes acompanhados de clarinete.


Flamínio de Almeida, gaiteiro de Casal da Misarela (Coimbra).


Coimbra
Algumas gaitas da zona de Coimbra (das aldeias em redor), exibem formatos e torneados peculiares e alguns arcaísmos no formato dos instrumentos e nos intervalos entre tons; possuem algo parecido com uma escala quase diatónica, com algumas disparidades regionais (falamos das poucas gaitas de fabrico local, que ainda não foram substituídas por galegas modernas importadas, mais numerosas nesta altura) e os temas tocados revelam um repertório característico da região. É comum encontrar em documentos iconográficos (fotografias e ilustrações) do princípio do século XX, numerosas referências a gaiteiros de Coimbra, com exemplares muito interessantes e ainda hoje se podem encontrar alguns tocadores da região que continuam a tocá-los com grande vitalidade.




Gil do Cubo - gaiteiro transmontano de São Julião (foto: Anne Caufriez, 1998)

Trás-os-Montes e Miranda do Douro
Em Trás-os-Montes existe um tipo de gaita, de construção artesanal, semelhante morfologicamente à gaita sanabresa ou alistana, (de Sanabria e Aliste, comarcas espanholas fronteiriças), mas com características um pouco mais antigas e conservadas de modo extraordinário; possui um ponteiro de furado largo, de digitação aberta, preso no pescoço de um fole de cabrito, com um ronco, maciço, pesado, preso na pata direita e o soprete preso na pata esquerda; a tonalidade oscila entre Si, Si bemol e Lá, dependendo dos artesãos. Possui uma escala peculiar, com intervalos de meio-tom entre algumas notas; trata-se de uma escala não-temperada (natural) que tem despertado a atenção de numerosos etnomusicólogos pela sua aparente antiguidade.


"Alvorada de Rio de Onor" (Rio de Onor, Bragança). Gaita: João Prieto Ximeno - Percussão: João Manuel Fernandes. Gravação de Ernesto Veiga de Oliveira, 1963.


A generalidade das gaitas deste tipo parecem seguir mais ou menos esta escala não-temperada, semelhante às escalas usadas na flauta pastoril e nas tonalidades vocais utilizadas na região. Também aqui a formação mais habitual é o grupo de Gaiteiro, Caixa e Bombo, sendo que o gaiteiro abre as festas sazonais com Alvoradas, acompanha habitualmente as procissões e as danças de "L's Palos" (mais conhecidos por "pauliteiros"). As práticas musicais e os próprios materiais de construção dos instrumentos estão profundamente envolvidos no contexto agro-pastoril desta região. Esta gaita está a tornar-se bastante popular e há cada vez mais tocadores jovens a interessar-se pela características próprias do instrumento e a querer preservá-las intactas, sendo que nos últimos anos se tem verificado uma revitalização cada vez maior das práticas musicais associadas a ele.


enviada por STRIDER






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)