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PERFIL


29/10/2003 00:01
As origens de Braga

INTRODUÇÃO HISTÓRICA
No ano 215 antes de Cristo, pela primeira vez, um exército romano invadiu o Nordeste da Península, na sequência da segunda guerra entre Roma e Cartago. Os cartagineses e os seus aliados ibéricos foram então vencidos. Mas a conquista da Península Ibérica foi lenta, demorada e arrítmica.
O Noroeste da Península apenas entrou em conflito directo com as legiões romanas quase um século depois, quando se verificou a incursão de Decimus Iunius Brutus , em 137 a. C. As forças comandadas pelo consul romano cruzaram o Douro, penetraram na Callaecia e chegaram mesmo a ultrapassar o rio Lima, referindo-se as fontes históricas a uma importante batalha em que os Brácaros (o principal povo da região) teriam sido vencidos.
Após esta primeira incursão, aumentou a influência do mundo romano no Noroeste Peninsular. No entanto, novos movimentos militares, dirigidos por Licinius Crassus (em 96 a. C.), M. Perpena (em 74 a. C.) e por Iulius Caesar (em 61 a. C.), revelam que a Callaecia não estaria totalmente pacificada.
A integração formal dos Galaicos, Astúres e Cantábros no Império Romano, apenas se concretizou depois das campanhas de Octavianus Augustus (27 a. C. - 14 d. C.), durante os anos de 26 a 19 a. C. Nos anos subsequentes ainda se verificaram revoltas e combates entre Astúres e Cantábros, por um lado, e legiões romanas por outro. Só na última década do século I a. C. o Noroeste parece estar definitivamente pacificado.
Durante os primeiros anos do novo milénio, a inserção dos povos submetidos processa-se a um ritmo acelerado. Galaicos e Astúres foram integrados na Hispânia Citerior, dilatada província dependente do próprio imperador Augusto. A Hispânia Citerior tinha capital em Tarraco, na costa mediterrânica (actual Tarragona, na Catalunha). O vasto espaço que se estendia do Mediterrâneo ao cabo Finisterra, no Atlântico, estava dividido em conventos, territórios que parecem ter tido uma função jurídica e religiosa, na sua formação inicial. No Noroeste existiam três conventos, com sede em três cidades: Asturica Augusta; Lucus Augusti e Bracara Augusta. Os epípetos atribuídos às três novas urbes demonstram a influência de Augusto na sua fundação e no seu desenvolvimento como centros urbanos. A par da criação destas cidades a integração do Noroeste no império romano, sob o reinado de Augusto, concretizou-se pela abertura de um conjunto de vias, pelo início da exploração das imensas riquezas minerais dos territórios dos galaicos e astúres, pela generalização de uma economia com novos valores e técnicas, em que se destacam a policultura, o uso do numerário metálico (moedas) e o aumento da produtividade agrícola, testemunhada pela fundação de villae e casais rurais.
A política de romanização do Noroeste é prosseguida sob os restantes imperadores da dinastia júlio-claudiana: Tibério (14-37 d.C.), Gaio (37-41), Cláudio (41-54) e Nero (54-68). Com o assassinato do último príncipe termina a primeira dinastia do império romano. No quadro da crise aberta pelo fim do reinado de Nero, destaca-se a intervenção do governador da Hispânia Citerior, Galba, que é aclamado imperador. Porém, Galba apenas reinará durante seis meses, pois é também morto entretanto. Todavia, a sua ascensão ao trono assinala a importância crescente da Hispânia no quadro do Império Romano.
A fechar um breve e conturbado período em que se sucedem três imperadores em pouco mais de um ano, emergiu uma nova dinastia fundada por um general de origem humilde, Vespasiano: a dos Flávios. Os textos de autores gregos e latinos, bem como os dados arqueológicos, demonstram que sob o governo dos Flávios a Hispânia e o Noroeste Peninsular se inserem ainda mais no quadro da civilização romana. O imperador Vespasiano (69-74) concede o Ius Latius, que permite a determinados indígenas aceder à cidadania romana. Assiste-se à emergência de novos municípios, como Aquae Flaviae (Chaves), enquanto que outros centros urbanos se renovam e expandem, como se tem constatado através das escavações de Conimbriga e de Bracara Augusta. Verifica-se uma intensificação da actividade mineira e um crescimento global da economia. Neste contexto, é aberta uma nova estrada entre Bracara Augusta e Asturica, estrada que recebe o nome de VIA NOVA, e que será classificada no Itinerário de Antonino como a XVIII.
Já existia um importante eixo, ligando as duas cidades, lançado no tempo de Augusto. Esta via arrancava de Braga pelo vale do rio Este e seguia para oriente, contornando a serra da Cabreira pelo norte, ao longo do vale do Cávado. Penetrava na serra do Barroso pelo vale do Rabagão e cruzava o planalto de Montalegre, atingindo assim Aquae Flaviae. Desta cidade continuava para noroeste, pelo planalto de Monforte, ao longo das vertentes meridionais da serra da Coroa (Vinhais) e pela depressão de Bragança, alcançando, finalmente, os altiplanos leoneses, onde fora implantada Asturica, após ter cruzado a serra de Culebra.
A VIA NOVA, aberta sob a dinastia dos Flávios (Vespasiano; Tito; Domiciano), vai desenhar um itinerário diferente entre Bracara Augusta e Asturica, mais a norte, ligando diversos populi e civitates, servindo uma zona rica em explorações de ouro.
Pode, pois, considerar-se que a construção da Via Nova foi um novo e importante passo no processo de romanização do Noroeste Peninsular.
enviada por STRIDER






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