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25/11/2004 00:32
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enviada por STRIDER
28/12/2003 02:40
A Gaita de Foles
Distribuição em Portugal
Em Portugal podemos encontrar pelo menos dois tipos principais de gaitas; a gaita da costa atlântica ocidental, que se convencionou chamar de "gaita" ou "gaita galega" (absolutamente idêntica aos modelos tradicionais encontrados na Galiza, mas com algumas excepções nos exemplares mais antigos) e em Trás-os-Montes e Alto Douro, a "gaita-de-fole" ou "gaita transmontana" ou "gaita mirandesa" (as denominações variam, embora se refiram ao mesmo instrumento).
A gaita de foles em Portugal tem uma presença bastante antiga e não se podem datar nem localizar com precisão que instrumentos desse tipo existiriam em todo o território nacional; (há relatos e iconografias que atestam o uso do instrumento inclusive no Alentejo e Algarve) e há relatos da presença do instrumento em Portugal praticamente desde a fundação da nacionalidade, em pleno Século XII, pelo que a hipótese da importação recente não explica tudo. Poderá sem dúvida haver um intercâmbio de instrumentos e repertório, sobretudo entre a Galiza e Minho e Trás-os-Montes e Zamora, (que fazem parte da mesma "região cultural" de modo mais evidente), como acontece sempre nestes fenómenos da música popular.
Minho
A formação mais habitual encontrada é o grupo de zé-pereiras: grupos de percussão, de caixas e bombos em grande número. Ocasionalmente é possível encontrar formações que incluem três ou mais gaiteiros, por vezes acompanhados de clarinete.
Pelo menos até á década de sessenta ainda existiam nesta região construtores de gaitas de foles que as faziam muito semelhantes aos modelos da vizinha Galiza (gaitas afinadas em Dó, com um ronco e soprete curto).
Devido à proximidade da Galiza esta terá sido a região onde desde mais cedo ocorreu a substituição dos foles de pele pelos de borracha (que agora estão a ser abandonados em favor dos confeccionados em pele).
Estremadura
Curiosamente, ao contrário do que se poderia pensar, a gaita tem uma implantação e tradição muito forte a sul do Tejo e na Estremadura, a norte de Lisboa, contrariando o estereótipo comum de que o instrumento só existiria exclusivamente no norte do país.
A formação mais habitual encontrada na península de Setúbal é o grupo de gaiteiro individual, acompanhado de caixa e bombo. Esta parece ter sido em tempos a formação mais usual também na Estremadura cistagana, contudo já na década de sessenta, o mais comum era encontrar o gaiteiro tocando sozinho, sem acompanhamento das percussões. Outro aspecto que distingue a estremadura cistagana da transtagana, pelo menos a partir da segunda metade do século vinte, é o acompanhamento da gaita, caixa e bombo pelo clarinete.
Os instrumentos que se tem observado nesta região são de fabrico galego, não havendo noticia da existência de construtores garantidamente desde a década de sessenta do século XX. Havia no entanto torneiros que faziam peças por cópia, a pedido de um gaiteiro. Os foles que ainda eram de pele até meados do século XX foram totalmente substituídos pelos de borracha, sendo qe recentemente se observa o processo inverso.
A formação mais habitual encontrada é o grupo de gaiteiro individual, acompanhado de caixa e bombo (em toda a costa ocidental e região de Coimbra) e no caso do Minho e Douro Litoral, também do gaiteiro que acompanha os grupos de Zés-Pereiras (grupos de percussão, de caixas e bombos em grande número). Ocasionalmente é possível encontrar formações que incluem três ou mais gaiteiros, por vezes acompanhados de clarinete.
Flamínio de Almeida, gaiteiro de Casal da Misarela (Coimbra).
Coimbra
Algumas gaitas da zona de Coimbra (das aldeias em redor), exibem formatos e torneados peculiares e alguns arcaísmos no formato dos instrumentos e nos intervalos entre tons; possuem algo parecido com uma escala quase diatónica, com algumas disparidades regionais (falamos das poucas gaitas de fabrico local, que ainda não foram substituídas por galegas modernas importadas, mais numerosas nesta altura) e os temas tocados revelam um repertório característico da região. É comum encontrar em documentos iconográficos (fotografias e ilustrações) do princípio do século XX, numerosas referências a gaiteiros de Coimbra, com exemplares muito interessantes e ainda hoje se podem encontrar alguns tocadores da região que continuam a tocá-los com grande vitalidade.
Gil do Cubo - gaiteiro transmontano de São Julião (foto: Anne Caufriez, 1998)
Trás-os-Montes e Miranda do Douro
Em Trás-os-Montes existe um tipo de gaita, de construção artesanal, semelhante morfologicamente à gaita sanabresa ou alistana, (de Sanabria e Aliste, comarcas espanholas fronteiriças), mas com características um pouco mais antigas e conservadas de modo extraordinário; possui um ponteiro de furado largo, de digitação aberta, preso no pescoço de um fole de cabrito, com um ronco, maciço, pesado, preso na pata direita e o soprete preso na pata esquerda; a tonalidade oscila entre Si, Si bemol e Lá, dependendo dos artesãos. Possui uma escala peculiar, com intervalos de meio-tom entre algumas notas; trata-se de uma escala não-temperada (natural) que tem despertado a atenção de numerosos etnomusicólogos pela sua aparente antiguidade.
"Alvorada de Rio de Onor" (Rio de Onor, Bragança). Gaita: João Prieto Ximeno - Percussão: João Manuel Fernandes. Gravação de Ernesto Veiga de Oliveira, 1963.
A generalidade das gaitas deste tipo parecem seguir mais ou menos esta escala não-temperada, semelhante às escalas usadas na flauta pastoril e nas tonalidades vocais utilizadas na região. Também aqui a formação mais habitual é o grupo de Gaiteiro, Caixa e Bombo, sendo que o gaiteiro abre as festas sazonais com Alvoradas, acompanha habitualmente as procissões e as danças de "L's Palos" (mais conhecidos por "pauliteiros"). As práticas musicais e os próprios materiais de construção dos instrumentos estão profundamente envolvidos no contexto agro-pastoril desta região. Esta gaita está a tornar-se bastante popular e há cada vez mais tocadores jovens a interessar-se pela características próprias do instrumento e a querer preservá-las intactas, sendo que nos últimos anos se tem verificado uma revitalização cada vez maior das práticas musicais associadas a ele.
enviada por STRIDER
29/10/2003 00:01
As origens de Braga
INTRODUÇÃO HISTÓRICA
No ano 215 antes de Cristo, pela primeira vez, um exército romano invadiu o Nordeste da Península, na sequência da segunda guerra entre Roma e Cartago. Os cartagineses e os seus aliados ibéricos foram então vencidos. Mas a conquista da Península Ibérica foi lenta, demorada e arrítmica.
O Noroeste da Península apenas entrou em conflito directo com as legiões romanas quase um século depois, quando se verificou a incursão de Decimus Iunius Brutus , em 137 a. C. As forças comandadas pelo consul romano cruzaram o Douro, penetraram na Callaecia e chegaram mesmo a ultrapassar o rio Lima, referindo-se as fontes históricas a uma importante batalha em que os Brácaros (o principal povo da região) teriam sido vencidos.
Após esta primeira incursão, aumentou a influência do mundo romano no Noroeste Peninsular. No entanto, novos movimentos militares, dirigidos por Licinius Crassus (em 96 a. C.), M. Perpena (em 74 a. C.) e por Iulius Caesar (em 61 a. C.), revelam que a Callaecia não estaria totalmente pacificada.
A integração formal dos Galaicos, Astúres e Cantábros no Império Romano, apenas se concretizou depois das campanhas de Octavianus Augustus (27 a. C. - 14 d. C.), durante os anos de 26 a 19 a. C. Nos anos subsequentes ainda se verificaram revoltas e combates entre Astúres e Cantábros, por um lado, e legiões romanas por outro. Só na última década do século I a. C. o Noroeste parece estar definitivamente pacificado.
Durante os primeiros anos do novo milénio, a inserção dos povos submetidos processa-se a um ritmo acelerado. Galaicos e Astúres foram integrados na Hispânia Citerior, dilatada província dependente do próprio imperador Augusto. A Hispânia Citerior tinha capital em Tarraco, na costa mediterrânica (actual Tarragona, na Catalunha). O vasto espaço que se estendia do Mediterrâneo ao cabo Finisterra, no Atlântico, estava dividido em conventos, territórios que parecem ter tido uma função jurídica e religiosa, na sua formação inicial. No Noroeste existiam três conventos, com sede em três cidades: Asturica Augusta; Lucus Augusti e Bracara Augusta. Os epípetos atribuídos às três novas urbes demonstram a influência de Augusto na sua fundação e no seu desenvolvimento como centros urbanos. A par da criação destas cidades a integração do Noroeste no império romano, sob o reinado de Augusto, concretizou-se pela abertura de um conjunto de vias, pelo início da exploração das imensas riquezas minerais dos territórios dos galaicos e astúres, pela generalização de uma economia com novos valores e técnicas, em que se destacam a policultura, o uso do numerário metálico (moedas) e o aumento da produtividade agrícola, testemunhada pela fundação de villae e casais rurais.
A política de romanização do Noroeste é prosseguida sob os restantes imperadores da dinastia júlio-claudiana: Tibério (14-37 d.C.), Gaio (37-41), Cláudio (41-54) e Nero (54-68). Com o assassinato do último príncipe termina a primeira dinastia do império romano. No quadro da crise aberta pelo fim do reinado de Nero, destaca-se a intervenção do governador da Hispânia Citerior, Galba, que é aclamado imperador. Porém, Galba apenas reinará durante seis meses, pois é também morto entretanto. Todavia, a sua ascensão ao trono assinala a importância crescente da Hispânia no quadro do Império Romano.
A fechar um breve e conturbado período em que se sucedem três imperadores em pouco mais de um ano, emergiu uma nova dinastia fundada por um general de origem humilde, Vespasiano: a dos Flávios. Os textos de autores gregos e latinos, bem como os dados arqueológicos, demonstram que sob o governo dos Flávios a Hispânia e o Noroeste Peninsular se inserem ainda mais no quadro da civilização romana. O imperador Vespasiano (69-74) concede o Ius Latius, que permite a determinados indígenas aceder à cidadania romana. Assiste-se à emergência de novos municípios, como Aquae Flaviae (Chaves), enquanto que outros centros urbanos se renovam e expandem, como se tem constatado através das escavações de Conimbriga e de Bracara Augusta. Verifica-se uma intensificação da actividade mineira e um crescimento global da economia. Neste contexto, é aberta uma nova estrada entre Bracara Augusta e Asturica, estrada que recebe o nome de VIA NOVA, e que será classificada no Itinerário de Antonino como a XVIII.
Já existia um importante eixo, ligando as duas cidades, lançado no tempo de Augusto. Esta via arrancava de Braga pelo vale do rio Este e seguia para oriente, contornando a serra da Cabreira pelo norte, ao longo do vale do Cávado. Penetrava na serra do Barroso pelo vale do Rabagão e cruzava o planalto de Montalegre, atingindo assim Aquae Flaviae. Desta cidade continuava para noroeste, pelo planalto de Monforte, ao longo das vertentes meridionais da serra da Coroa (Vinhais) e pela depressão de Bragança, alcançando, finalmente, os altiplanos leoneses, onde fora implantada Asturica, após ter cruzado a serra de Culebra.
A VIA NOVA, aberta sob a dinastia dos Flávios (Vespasiano; Tito; Domiciano), vai desenhar um itinerário diferente entre Bracara Augusta e Asturica, mais a norte, ligando diversos populi e civitates, servindo uma zona rica em explorações de ouro.
Pode, pois, considerar-se que a construção da Via Nova foi um novo e importante passo no processo de romanização do Noroeste Peninsular.
enviada por STRIDER
17/10/2003 20:50
CENARIO DA TERRA MEDIA NO PLAZA SUL
Para você que está esperando o cenário chegar mais perto da sua casa para tirar a sua foto, aí vai mais uma oportunidade!
Durante os dias 20 e 31 de outubro, o cenário estará no Shopping Plaza Sul.
Se ainda não foi desta vez, não desanime. Aguarde que novas datas e locais serão divulgados aqui.
enviada por STRIDER
16/10/2003 01:02
Galícia
Links interessantes da Galicia
http://www.turgalicia.es
http://www.xunta.es
http://airas.cirp.es/WXN/wxn/homes/meddb.html
enviada por STRIDER
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